O partido Os Verdes anunciou hoje que pretende confrontar a ministra do Ambiente, Assunção Cristas, "em breve", na Assembleia da República, sobre a "proposta da Unesco para parar as obras da barragem de Foz Tua".
"A ministra do Ambiente, que se tem mantido em silêncio total sobre este assunto, vai ser brevemente confrontada por Os Verdes, em sede parlamentar", afirma, em comunicado, o partido.
No comunicado, os Verdes dizem "regozijar-se com o teor da proposta da Unesco relativamente à barragem de Foz Tua e ao Alto Douro Vinhateiro, que vai ser debatida na próxima reunião do Comité Mundial", a ocorrer em junho, em S. Petersburgo, na Rússia.
A edição de hoje do jornal Público avança que a Unesco se prepara para mandar parar as obras da barragem de Foz Tua por terem "um impacto irreversível e ameaçar os valores" que estiveram na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da Humanidade, estando em análise uma missão conjunta de estudo à situação.
Parar imediatamente as obras de construção da barragem de Foz Tua, solicitar uma missão conjunta de análise à situação da área de paisagem classificada do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial e remeter um relatório actualizado até ao final de Janeiro próximo.
Estas são as principais exigências que o Comité do Património Mundial da UNESCO se prepara para adoptar na sua reunião de Junho, relativamente ao caso da construção da barragem da EDP na foz deste afluente do rio Douro.
O projecto de decisão, a que o PÚBLICO teve acesso, está já concluído e, além daquelas exigências, é também colocado em causa o comportamento das autoridades portuguesas ao longo de todo o processo. Apesar de redigido, como é norma, num tom diplomático, o documento não deixa referir uma postura que pode ser classificado como de certa deslealdade por parte dos responsáveis portugueses, que não prestaram qualquer informação sobre os projectos para a construção de barragens e autorizaram o arranque das obras numa altura em que a missão de análise acabava de visitar o local e não tinha ainda sequer iniciado o seu relatório.
Quanto à parte decisória, com dez pontos, não deixa margem para dúvidas ao "instar o Estado [português] a parar imediatamente todos os trabalhos de construção da barragem de Foz Tua e toda a infra-estrutura associada". É igualmente exigido que seja solicitada a realização de uma "missão conjunta de monotorização para estudo do impacto potencial" das alterações ao projecto que foram, entretanto, anunciadas pela EDP. E ainda que o Estado português "remeta ao Comité do Património Mundial um relatório sobre a revisão ou o reexame do projecto" e também "sobre o estado de conservação" da área classificada, para que seja analisado pelo comité na sua reunião anual de 2013.
Em plena crise, vão ser construídas em Portugal nove barragens. A TVI foi investigar se este investimento vale a pena e quais as explicações para os custos da electricidade. Esta é a a grande reportagem desta noite no Jornal das 8.
Será que o governo seria mesmo capaz de admitir a destruição dos Jerónimos para que lá fosse construído um lucrativo centro comercial, desde que à entrada existisse uma réplica do monumento?