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Comunicado do Movimento Cívico pela Linha do Tua Completa-se um mês sobre o fatídico acidente de Castanheiro na Linha do Tua. Nesta triste efeméride, urge fazer uma avaliação sobre o que se fez e o que os próximos tempos reservam ao último caminho-de-ferro do distrito de Bragança.
Comunicado do Movimento Cívico pela Linha do Tua Completa-se um mês sobre o fatídico acidente de Castanheiro na Linha do Tua. Nesta triste efeméride, urge fazer uma avaliação sobre o que se fez e o que os próximos tempos reservam ao último caminho-de-ferro do distrito de Bragança. A automotora Bruxelas está para ser finalmente desmantelada, sarando assim uma mágoa que persistia visível no leito do rio Tua. Esta solução surge não só devido ao mau estado da automotora, como também devido à dificuldade que haveria em içá-la no local.. Ainda assim, não há data confirmada para esta operação. Por outro lado, a via danificada permanece uma incógnita, o que constitui um impasse e um silêncio que levantam justas dúvidas, e que motivam a nossa apreensão. Dois geólogos foram encarregues de fazer um estudo sobre as condições das montanhas por onde passa a via-férrea, que terá como função não só apurar as causas do acidente, como vincular uma decisão do Governo sobre se a linha deverá ser parcialmente encerrada. Antes da conclusão deste estudo , a REFER não poderá avançar para qualquer tipo de reparação do troço danificado, nem a administração do Metro de Mirandela poderá estabelecer um novo plano de operação, e persistirá por mais tempo o transbordo rodoviário entre a Brunheda e o Tua. Em notícias recentes, a Secretária de Estado dos Transportes admitiu a possibilidade do fecho, lançando mais um número, o dos utilizadores da linha do Tua : 100 pessoas usam a linha todos os dias, o que, segundo Ana Paula Vitorino corresponde a uma taxa de utilização de 17% da capacidade disponível. Na altura do acidente falava-se em 20 pessoas por automotora. Desde o momento do acidente surgiu já uma infinidade de números relativos à procura da linha, não havendo dois que coincidam. Procura-se a todo o custo justificar que não é lucrativa a exploração da linha. Mas por esta ordem de ideias, teremos de parar o Metro do Porto (14% de taxa de ocupação) ou a Carris(22% em 2005).É curioso que o investimento feito na linha do Tua seja da mesma ordem de grandeza do valor aprovado no orçamento de 2007 da Câmara Municipal de Lisboa para despesas com o seu parque automóvel. O MCLT vem assim por este meio exigir a elaboração de um estudo claro e isento, do qual em circunstância alguma se poderá tomar a decisão de se encerrar parcialmente a Linha do Tua. Lembramos que este é o segundo acidente grave em 120 anos de História da linha, ocorrido após um sismo numa zona onde passa uma falha sísmica importante, que poderá ter contribuído de forma decisiva para um possível deslize de terras. Em aditamento a esta evidência histórica, a solução não poderá ser deixar de haver comboios no Baixo Tua, mas sim reforçar a sua segurança, com medidas que em vias-férreas de idênticas características na Europa já são usadas. Outro assunto de grande importância que diz respeito à Linha do Tua é a situação do material histórico estacionado no Tua, do qual se destacam as carruagens vulgarmente denominadas de Napolitanas. Estas carruagens, construídas em Nápoles em 1931, serviram outras vias estreitas do país, e foram do último material a chegar a lugares como Arco de Baúlhe e Bragança. À vista do que se faz na Linha do Douro, o aproveitamento turístico de algumas destas carruagens seria de uma mais-valia enorme para a região e para a linha em si; no entanto permanecem paradas, e sem um plano de reaproveitamento em vista. Depois do material histórico que saiu da Secção Museológica de Bragança sem destino certo, quais são os planos da CP para as Napolitanas? O MCLT expressa desta forma a sua profunda preocupação tanto com o carácter do estudo geológico realizado, como do silêncio a que o Governo tem votado todo este incidente, sem assumir nenhuma posição oficial quanto ao futuro da Linha do Tua. Mesmo estando em causa as vidas perdidas de três cidadãos, o direito à mobilidade, e a persistente política de abandono ao distrito de Bragança, nem o Primeiro-Ministro nem o Ministro das Obras Públicas se vinculam a qualquer tipo de decisão, o que é absolutamente inadmissível. Exigimos uma posição oficial às entidades que ao mais alto nível decidem sobre o futuro da Linha do Tua, bem como a apresentação de alternativas credíveis, e não irresponsáveis, e o cumprimento das promessas de investimento em segurança, para um são funcionamento da via em plenitude, com o seu aproveitamento turístico, inexplorado à data. As pessoas servidas pela linha querem garantias de operacionalidade, não de encerramentos baseados em premissas dúbias; querem continuar a usufruir do seu direito de mobilidade, e não que barragens que têm alternativas de mãos dadas com a linha a venham afogar em dúvida; os portugueses querem o seu património histórico preservado, têm o direito de visitar este património único e nem por um minuto pensam perdê-lo para interesses mascarados e mantidos no silêncio. Movimento Cívico pela Linha do Tua, 17 de Março de 2007. -
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